Resumo sobre o Apriorismo kantiano ou Criticismo de Kant

Resumo: Apriorismo kantiano ou Criticismo de Kant, resolvendo o problema entre empirismo e racionalismo


INMANUEL KANT (1724-1804)



- OBRAS: Crítica da Razão Pura, Crítica da Razão Prática, Metafísica dos Costumes e Crítica da Faculdade do Juízo.

- Filosofia Crítica, pois ele convida a própria razão para examinar a si mesma, refletindo sobre as suas próprias possibilidades e limites de conhecimento.

- Influenciado pela crítica de David Hume ao princípio de causalidade.

“Admito sem hesitar: a recordação de David Hume foi exatamente aquilo que, há muitos anos, primeiro interrompeu meu sono dogmático e deu uma direção completamente diversa às minhas investigações no campo da filosofia especulativa.
[...} Investiguei, em primeiro lugar, se a objeção de Hume não se deixaria representar de forma geral, e logo depois descobri que o conceito de conexão de causa e efeito está longe de ser o único pelo qual o entendimento pensa a priori conexões entre coisas, e, mais ainda, descobri que a metafísica consiste inteiramente nesses conceitos.” KANT, Immanuel. Prolegômenos a qualquer metafísica futura que possa apresentar-se como ciência. São Paulo: Estação Liberdade, 2014. p. 28




Segundo Kant, o conhecimento pode ser:

1. A posteriori – adquirido depois da experiência, dependente de nossas sensações/ percepções.

 Ex.: A bola é branca (para afirmar isso preciso ver a bola).

2. A priori – anterior à experiência sensível, necessário, universal e fundamentado na razão.

Ex.: O triângulo tem três lados (note que independentemente de você vê ou perceber, um triângulo qualquer, para ser considerado triângulo, sempre precisará ter 3 lados).

Segundo Kant, os juízos/afirmações também podem ser de dois tipos:

1. Explicativos ou Analíticos – baseados no conhecimento a priori e não acrescentam nada ao que já sabemos do sujeito, apenas torna evidente algo que já se sabia sobre ele, como no caso do triângulo, que sabemos ter três lados.
Esse tipo de juízo é considerado necessário, ou seja, o que eles dizem sobre o sujeito não poderá jamais ser de outro modo. Por exemplo, o triângulo ter 4 lados.

2. Ampliativos – baseados no conhecimento a posteriori e acrescentam algo novo ao sujeito de quem se fala. E, por reunirem várias características (impressões) diferentes sobre o sujeito também podem ser chamadas de sintéticos.

Esse tipo de juízo é considerado contingente, ou seja, o que eles dizem sobre o sujeito pode variar, pode ser de outra forma.

A experiência une elementos a priori e elementos a posteriori.

- A sensibilidade possui duas intuições fundamentais sem as quais seria impossível o ser humano perceber qualquer coisa. Estas intuições são espaço e tempo. Só conseguimos experimentar aquilo que ocorre no tempo e no espaço. Não conseguimos, por exemplo, imaginar uma maçã que não tenha uma forma espacial ou que esteja fora do tempo.

- Mas para que haja o conhecimento universal e necessário não basta termos as intuições da sensibilidade, pois seria preciso pensar tudo o que foi recebido através de nossas percepções. Assim, surge a necessidade das categorias do entendimento ou da razão, que são como ferramentas que nos possibilitam pensar as representações sensíveis. Sem elas, não teríamos como organizar o que recebemos de nossa experiência sensível.

- Ao contrário de David Hume, que nega a causalidade, Kant a afirma como uma categoria a priori do entendimento, que não depende da experiência sensível, mas faz parte da capacidade humana de conhecer.

São 12 as categorias do entendimento: 

1 Quantidade: Unidade, Pluralidade e Totalidade.
2. Qualidade: Realidade, Negação e Limitação.
3. Relação: Substância, Causalidade e Comunidade.

4. Modalidade: Possibilidade, Existência e Necessidade.... 

- CONHECIMENTO = SENSIBILIDADE (recebe as impressões sensíveis) + ENTENDIMENTO (pensa as representações da percepção)

“Sem sensibilidade, nenhum objeto nos seria dado; sem o entendimento, nenhum seria pensado. Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas.”  KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. 3. Ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994. p. 89.

- Para que se conheça algo, esse algo precisa ser conformado pelas intuições a priori da sensibilidade e pelos conceitos a priori do entendimento.

- Logo, nosso conhecimento é limitado, pois somente conhecemos os fenômenos (o que passa pela sensibilidade e entendimento), somos incapazes de conhecer os objetos como eles realmente são, as coisas em si (em si) – os númenos. Só conhecemos a representação de algo conforme ela aparece em nossa consciência (para si).

- Conhecemos apenas o que é acessível a nossa experiência. Tudo o que a extrapola não pode ser conhecido. É o caso da metafísica clássica que trata de coisas que não fazem parte da experiência sensível.

Ex.: Deus, a alma.

“VIRADA COPERNICANA NA FILOSOFIA”

“Se Copérnico mudou a forma de entender o mundo ao defender a ideia de que o sol está no centro do sistema solar, Kant mudou a forma de o ser humano compreender o mundo e a si próprio ao estabelecer a ideia de que o ser humano, e não os objetos externos, é o centro do nosso conhecimento.  O ser humano não é um agente passivo, que só recebe informações, mas atua decisivamente na constituição do conhecimento e do que se compreende como realidade.” MELANI, Ricardo. Diálogo: primeiros estudos em filosofia, volume único. 2. Ed. São Paulo, Moderna, 2016. p. 201

- E por isso, a Filosofia de Kant também foi chamada de Transcendental.


Bibliografia:
KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. 3. Ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994.
KANT, Immanuel. Prolegômenos a qualquer metafísica futura que possa apresentar-se como ciência. São Paulo: Estação Liberdade, 2014
MELANI, Ricardo. Diálogo: primeiros estudos em filosofia, volume único. 2. Ed. São Paulo, Moderna, 2016









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